
Os policias civis do Estado decidiram paralisar as atividades na Chefatura de Polícia e no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória por seis horas nesta quarta-feira (15), para protestar contra o governo do Estado. Depois de uma assembleia, que durou mais de três horas, os policiais cruzaram os braços. Entre as reivindicações dos policiais estão o direito a aposentadoria especial e promoção na carreira.
"Queremos uma reposição de 40% do nosso salário e as promoções. Temos policiais que há 20 anos não têm direito de promoção. Estamos lutando pela aposentadoria nos moldes da Polícia Federal. Há policiais com 40 anos de serviço e o governo do Estado não aposenta. Quando o servidor tem chance, ele quer aposentar proporcional. Não aceitamos, queremos a aposentadoria decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que é a aposentadoria integral com paridade", explica o presidente da Associação dos Policiais Civis do Estado (APCES) José Rodrigues Camargo.
foto: Tiago Félix | Rádio CBN Vitória (93,5 FM)
Policiais civis resolveram paralisar as atividades na Chefatura de Polícia e no DML
Após horas de discussão, a categoria decidiu encaminhar para o governo a pauta com as reivindicações. As exigências dos policiais serão analisadas. Representantes do governo devem receber uma comissão de policiais civis para discutir a pauta de reivindicações no dia 2 de março, segundo membros do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol).
Por volta das 14 horas, o portão do Departamento Médico Legal (DML) foi fechado e os serviços foram suspensos até às 20 horas desta quarta-feira. Os manifestantes dizem que a paralisação é uma maneira de "advertir" o governo do Estado para as exigências dos policiais civis. "Somente hoje o governo do Estado falou que vai receber a categoria no dia 2 de março, durante a assembleia. Caso ele não atenda no dia agendado, estamos com indicativo de paralisação. É uma paralisação de advertência ao governo", diz.
Quem procurava os serviços encontrava os portões fechados do DML. A comerciante Genedir Gomes dos Santos, 35 anos, tentou liberar o corpo da cunhada, que morreu na tarde da última terça-feira (14). Depois de insistir com os policiais, eles liberaram o corpo. "Desde às 9 horas que o corpo estava liberado. Por causa da greve não permitiram que a família saísse com o corpo. Além da tristeza de perder um ente querido, temos que passar por isso. O governo precisa tomar alguma providência", reclama.
A dona de casa Ledine Portugal Santana, 42 anos, não teve a mesma sorte. Ela veio de São Paulo, e teve que aguardar os serviços serem normalizados para liberar o corpo do irmão, atropelado por um trem no sábado (11), em fundão. O corpo será levado para Pinheiros, Norte do Estado. "Estou aguardando a liberação desde às 07 horas. Até agora, ninguém me deu resposta de que horas posso sair daqui. Isso é revoltante. A família toda está esperando em Pinheiros".
Por nota, o chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio, afirma que todos os setores da polícia funcionaram normalmente. Os corpos estão sendo recolhidos e levados para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) do Hospital da Polícia Militar (HPM) e foram liberados dentro da ordem cronológica, como de praxe. A paralisação não trouxe prejuízo às atividades da Polícia.
Fonte: Gazeta Online