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Meio Ambiente
Postado em: 17/02/2012 às 12h27
TAMANHO DA FONTE  A- A+
Brasil é acusado de imperialismo por hidros em vizinhos
Plano de expansão das hidrelétricas para ampliar oferta de energia no Brasil também prevê projetos construídos em países vizinhos.

por Daniele Bragança

Protestos contra o projeto da Usina de Inambari, no Peru. (Foto: Aldo Santos/Amazonia Puno - Madre de Dios)

O “plano B” do governo federal para ampliar a oferta de energia no Brasil será a construção de hidrelétricas em países vizinhos. A informação, apurada pela Folha de S. Paulo na edição de terça-feira (14/02), diz que o principal projeto de integração no uso de usinas hidrelétricas para geração de energia será com o Peru, mas há estudos e projetos em andamento em outros países, a maioria na Região Amazônica, especificamente Peru, Bolívia, Colômbia, Guiana, Suriname e Venezuela). A ferramenta preferencial por trás desses planos é a capacidade de financiamento do BNDES.

O acordo de integração energética entre Brasil e Peru foi assinado entre os dois países em maio de 2009. A escolha do Peru como parceiro não foi por acaso: o país responde por 14% do potencial hídrico da América Latina e tem baixa demanda interna por energia. O acordo binacional, que prevê a construção de seis usinas com capacidade de gerar 22 GW - quase duas Belo Monte – sofre resistência por lá devido aos impactos que pode causar sobre povos indígenas.

A hidrelétrica de Inambari, que deverá custar US$ 4 bilhões, foi cancelada em junho do ano passado até o governo peruano entrar em acordo com indígenas e populações tradicionais que seriam afetados. 

Fora da Amazônia, o governo brasileiro constrói junto com a Argentina uma usina binacional de 4,8 bilhões de dólares: a Usina Hidrelétrica Binacional Garabi, que deve ser erguida no rio Uruguai, fronteira entre Brasil e Argentina, com capacidade estimada em 2.000 megawatts. Na Bolívia, também se encontra em estudos a construção de outra binacional, a exemplo da Itaipu (maior usina do mundo), construída com o Paraguai.

Além disso, o custo da energia no exterior pode ser mais baixo do que no Brasil. Na Bolívia, o MWh da Usina de Cachuela Esperanza, ainda em estudo, sairia por US$ 58. No Brasil, caso fosse implantada uma usina com esta capacidade, o custo seria de US$ 77, segundo projeções da consultoria PSR, ouvida pela Folha.

Não é apenas por acordo de cooperação entre países que o Brasil amplia sua influência. As empresas brasileiras também expandem seus negócios em projetos de grandes obras, com ajuda de financiamento do BNDES.

A Eletrobras, por exemplo, pretende acrescentar 18 GW ao sistema com unidades no exterior até 2020. Essas usinas estarão interligadas por 10 mil quilômetros de cabos. Ainda segundo a reportagem da Folha, essas obras consumirão recursos de pelo menos R$ 58 bilhões. Esse montante poderá ser totalmente financiado pelo BNDES, desde que as empresas nacionais sejam as controladoras.

E é também por este motivo (dentre outros) que o Brasil é acusado de imperialista pelas organizações de direito civil dos países envolvidos. Um artigo do New York Times relata o aumento da influência do Brasil nos países vizinhos e a crescente resistência que essa posição desperta. O jornal americano dá destaque ao papel do BNDES "um colosso financeiro que torna nanicos os empréstimos do Banco Mundial e que se transformou no principal meio do Brasil projetar o seu poder através da América Latina e além dela”.

A Comissão de Povos, Meio Ambiente e Ecologia do Congresso peruano e ambientalistas fizeram pressão para rever o acordo energético assinado entre os dois países. Uma das acusações aponta que o Brasil se beneficia da geração de energia produzida no vizinho, sem ter que compartilhar o impacto ambiental.

Em maio do ano passado, houve um fórum sobre o acordo energético Peru-Brasil e as implicações para o Peru. O vídeo “Decide informado decide consciente” (em espanhol), discutido durante o evento, fala dos efeitos do acordo energético e de seus impactos ambientais, como o desmatamento de um milhão e meio de hectares para a construção das cinco hidrelétricas previstas.

Fonte: oECO



 
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