O Brasil vive hoje um fenômeno diferente. Estamos com uma das menores taxas de desemprego da história, se não a menor, e a nossa economia está em ritmo de queda. Ora, se estamos crescendo menos, como podemos manter uma taxa tão alta de pessoas empregadas?
O economista do banco Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, apresenta duas explicações. Uma delas, já confirmada por executivos ouvidos pelo economista, é que as empresas estão evitando demitir nesse momento de ritmo mais lento, porque estão confiantes na retomada do crescimento no segundo semestre deste ano.
A segunda, mais negativa para o país, é que há mais pessoas trabalhando, porém, produzindo menos.
“De fato uma economia que está empregando mais gente é uma coisa boa. Melhor ainda seria se estivesse todo mundo empregado, bem preparado e produzindo mais, com bom salário e a renda subindo. Estudando este tema eu resolvi inverter a pergunta: se estamos com tantos empregos, porque o PIB não melhora?”, indaga o economista.
A resposta não é agradável: a mão de obra brasileira está com baixa qualificação.
Para Ilan Goldfajn, a primeira explicação, que conta com a confiança dos empresários, é muito melhor para nós. A segunda, que sinaliza a baixa produtividade, significa também que estamos com uma baixa poupança de trabalhadores no país.
“Infelizmente esse problema não se resolve no curto prazo. Precisamos melhorar a educação, melhorar a escola, tanto no ensino médio como na universidade. Acho que tem havido melhorias, mas claramente, na corrida contra outros países emergentes, nós estamos perdendo no quesito educação”, diz Goldfajn.
Apesar dos números positivos no emprego, as horas trabalhadas estão em queda. Isso pode ser explicado pela decisão das empresas de produzir menos e não demitir para não arcar com o elevado custo trabalhista desse processo no Brasil.
“De fato, a produtividade não caiu recentemente. São os padrões de emprego e desemprego que mudaram. Se a produtividade estiver caindo mesmo, saberemos isso ao longo da próxima recuperação da economia. E quando a recuperação vier, teremos que ver até onde ela pode ir sem pressionar a inflação”, analisa Goldfajn.
Os brasileiros desfrutam hoje dos benefícios do emprego mais duradouro, da renda familiar mais farta e das oportunidades de consumo mas acessíveis. É o bem-estar social que gera sensação de segurança e confiança de que tudo vai ficar bem, mesmo que o trabalhador não esteja qualificado o suficiente para se desenvolver e alcançar postos mais desafiantes.
“Emprego é importante, mas mais importante ainda é que as pessoas produzam bem, ganhem bem. Se a sensação de bem-estar acomodar as pessoas, quando a gente for se aposentar nossos filhos vão herdar um país em que os salários serão menores. Nós teremos construído um país pior no futuro. E ainda temos a ameaça de que venha alguém mais competitivo, e perdemos os empregos porque não nos esforçamos. Aquele pessoal que se dedicou mais, investiu mais em tecnologia, vai nos passar. Não vejo chinês parado, indianos, americanos, russos parados”, conclui o economista.
Fonte: G1








